
Capítulo 3
O dia amanheceu, somente um retrato da lua cobria o céu, o sol ainda não havia aparecido, estava acordado, olhando para o horizonte, vendo as estrelas dando lugar para as nuvens mais aparentes na luz do dia, o clima estava quente, mesmo na manha recém-iniciada a luz do sol já fazia estragos na pele e nas glândulas sudoríparas de quem passava, pelas horas marcadas nos ponteiros do relógio haviam poucas pessoas nas ruas, muitos ainda estavam cheios de sonhos nas camas, as quais eu desejaria estar, por obsequio, queria estar na minha cama, mas o dever me chamava, falando assim pareço um super-herói, um chamariz da justiça, o oficial Gordon me enviava um sinal de luz no visor do meu celular, era um Bat-sinal, a cabine do Superman, o anel do Lanterna Verde. Não, na realidade era um whatsapp do meu amigo falando que eu estava atrasado, o meu relógio biológico me enganara mais uma vez, felizmente estava próximo do meu local de “repouso” de todas as manhãs, a faculdade, que pelas graças do destino era o local de encontro, ainda cheguei há tempo, com minha hipervelocidade consegui alcançar minha carona e fui ao som de Wesley Safadão até a minha unidade de resgate, onde minhas energias de super-herói seriam gastas, será que eu salvaria o dia, isso só no final da história.
Carro estacionado, pneu atolado, portas se abrindo, gente saindo, é um bom sinal, havíamos chegado ao local. Estava com pressa de ir embora, poucas palavras haviam saído da minha boca até chegar ali, o meu estado não estava bom, estava triste, queria ter ficado no meu quarto, dormindo, sonhando, chorando, tanto faz, queria estar sozinho, por que se nem o Pancadão do Bonde da Sobral me animara, o dia de chamados de socorro não seria bom. Aguardamos a boa vontade do cargueiro que nos levaria as visitas, o humor dele também não estava bom, deveria ser o sol, aquilo ali fritava ovo na cabeça de qualquer um, ainda bem que eu ainda tenho cabelo, a força dos raios solares estanca nas raízes dos meus cabelos rastafáris. O nosso transportador nos deixou nas designadas residências, durante o caminho quase caí umas três vezes, aquele sol não estava me fazendo bem, estava vendo buracos no chão, procurava em meu cantil um pouco de água que eu havia trazido da Fonte da Juventude, minhas forças estavam por um fio, meu cabelos de Sansão estavam quase cortados, aqueles raios UV estavam me matando, acho que essa era a minha kriptonita. Felizmente o nosso querido companheiro de viagem nos deu conhecimento que havíamos chegado nas zonas de visita, sim zonas, por que somos entregues um por um, ou melhor, grupo por grupo, chega na zona, deixa um na primeira casa, outro na segunda, eu e o Gabriel na última, sempre digo, os últimos serão os primeiros, de que eu não possuo conhecimento, mas serão.
Batemos palmas, e dona Dadá, com toda a simpatia de seguidores da Internet nos atendeu, mas aquela senhora era real, não existiam mouses, telas, teclados que nos separassem, e nos curtia e compartilhava sua vida como nenhum amigo virtual faria. O que mais me impressionava é que ela era de carne e osso, não era uma heroína de quadrinhos, mas sim uma Mulher Maravilha da vida real, era lindo o modo com que ela lidava com a família, como cuidava do marido, adoecido de diversas maneiras, de diabetes a esquizofrenia, sim, é uma lista muito grande, ainda quero conhecer esse sortudo que passou 40 anos de sua vida ao lado de uma mulher incrível, uma mulher que mora no mesmo bairro desde a sua fundação, sim, ela é idosa, mas tem a agilidade de quem tomou do meu cantil da Fonte da Juventude várias vezes, essa mulher me daria um banho em uma partida de Fifa no vídeo game, por que faz tempo que eu não jogo na vida real, acho que minha juntas e articulações não aguentariam muito tempo correndo atrás da bola.
Foi ótimo ter acordado esse dia para conhecer uma senhora muito simpática e de uma saúde impressionante, que me colocaria nos chinelos a qualquer estalar de dedos, eu já estava cansado de vê-la correndo pra lá e pra cá, no final da história o dia do super-herói que vos fala foi salvo pela donzela, sem likes no Face, sem coments no Tumblr, sem fotos no Insta, só uma conversa muito animada com uma verdadeira SuperWoman. E esse foi mais um dos dias de visitas que fizemos no nosso módulo de saúde, no caso de meu grupo de início de faculdade na Sobral, um bairro de Rio Branco. E um dos dias mais marcantes de todas essas visitas, precisamos ouvir os gritos do mundo para aprender, os livros são sim importantes, mas as experiências que você ganha ao decorrer da vida, ah, essas que te marcam.
SIGA A PÁGINA NO FACEBOOK