Capítulo 5
E como foi a primeira festa de medicina, então, sacam a música Eduardo e Mônica do Legião Urbana? “Festa estranha com gente esquisita, não tô legal, não quero mais birita”, foi exatamente desse jeito, a diferença é que não tomei birita. Imaginem vocês um menino criado com a mãe até aquele momento, um verdadeiro Kiko do Chaves, MAAAMÃE. Entrar em um mundo diferente, o máximo que eu tinha ido eram em festas de 15 anos, é meio louco, meio disperso e foi desse modo que me senti, fui o Eduardo da festa, mas minha Mônica não estava lá, ainda bem que ela estava na mesma faculdade que a minha.
O que eu mais queria era sair de lá, estava com uma vontade tão grande de ir pra casa, “eram quase duas e eu ia me ferrar”, de repente eu estava precisando de umas biritas, ou simplesmente de um Toddynho, sinceramente também cairia muito bem. Aos poucos fui me acostumando ao clima festivo e acelerado de Medicina, mas nesse dia foi tenso, ainda que meus veteranos estavam doidos pra raspar meu cabelo, felizmente não deixei, naquele momento. Infelizmente rasparam meus cachinhos, duas vezes ainda, nem deu tempo de pagar a prenda para não rasparem e a máquina já estava na minha cabeça. Fiquei parecendo um Skinhead, até me assustei quando me vi no espelho, mas tudo faz parte.
Na medida do possível me acostumei com o submundo da faculdade, dos estudantes de plantão, e a Medicina estava somente começando, viriam muitas festas ainda para eu participar, como ainda tem, mas sosseguei um pouco, achava que era meio difícil sossegar mais do que eu já era, mas consegui. A vida como médico no futuro me esperava, decidi “descansar” durante a faculdade, por que depois que virar médico vai ser plantão atrás de plantão, é minha gente, se a vida de estudante não é fácil imagina a de médico.
Mas foi isso que eu escolhi, cuidar das pessoas, salvar vidas, ou ao menos tentar ao máximo dar um ar de esperança aquele paciente que vai me procurar, pra isso é necessário estudar muito, dia após dia, noite após noite, página após página, a vida de estudante não é fácil, o pior é você fazer tudo isso e chegar alguém perguntando, mas você só estuda? E aê meu filho, ler 100 páginas em uma noite já não tá bom? É minha gente, aqui estou eu, contando meu relato como estudante de uma das mais belas profissões desse mundo, a Medicina, profissão e curso que eu amo e tenho orgulho de fazer parte, mas eu digo uma coisa, Ô curso difícil, nunca pensei que fosse ser fácil, mas minha gente haja Red Bull pra segurar o sono nas noites de estudo.
Como eu disse em um capítulo anterior ser médico é uma dádiva, mas também é um estímulo a paciência, por que meus amigos o tempo que você vai botar a bunda na cadeira pra estudar é grande, e o tempo que vai demorar pra você pegar o diploma é maior ainda, mas tudo acontece para que um dia você colha os frutos, os louros da formatura, da primeira consulta, do primeiro diagnóstico. Hoje ainda estou no tempo da bunda na cadeira, sei que após a faculdade continuarei com a bunda na cadeira por muito tempo, provavelmente minha vida inteira, pois temos especializações, mestrados, doutorados, pós-doutorados, ou seja, uma dança das cadeiras enorme pra se fazer. Mas o que vem depois desse tempo todo de labuta, de viradas de páginas, de olhadas nos microscópios, de conversas e mais conversas com professores, com nossos colegas de classe, preceptores, o que vem depois de todo o nosso esforço vale a pena. Ser médico afinal, mesmo em um país como o Brasil vale a pena.
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