Nas areias do Guarujá

Nas areias do Guarujá

Eu quero te amar na areia da praia, eu quero te amar na água do mar, eu quero te encontrar nas horas vagas, nas areias brancas do Guarujá. Eu quero fazer como o céu e o mar, quero simplesmente me entregar e deixar pro horizonte nos guiar, eu quero te abraçar no meio das conchas, quero te encher de perolas e entrar para explorar todo esse habitat, quero deixar a noite chegar e me embriagar com cheiro da maresia, ver as estrelas brilharem como o sol que ilumina o dia, quero ver os dias passarem ao seu lado, me escondendo entre os guarda-sóis para não me queimar. Sabe a hora que a maré sobe? Aquela mesma hora que todos os pescadores correm pra água atrás dos peixes e todos os banhistas correm para parte mais alta da praia, nessa mesma hora eu quero ficar e sentir o mar tocar as nossas peles, quero ficar e me sentir como se fosse um habitante daquele oceano, eu quero ficar porque estarei com você e ao mesmo tempo eu quero te ver andando até a água, observando seus passos na areia branca, anotando toda a sua trilha para que eu nunca possa perde-la e sempre possa segui-la, quero me embebedar com teu cheiro, enlouquecer de anseio somente por pensar em ficar longe de você. Quero que você me beije como a onda beija a praia ao se acolchoar nela, quero que você me deixe te cobrir como a água cobre a areia. Quero guardar nossos momentos em uma garrafa vazia, pra que eu possa jogar no mar quando a maré estiver em cima e que deixemos esses momentos vagarem pelo mar aberto, que vivamos com as águas límpidas e a liberdade que aquele azul refletido nos deixa, que esse garrafa consiga passar das tempestades e redemoinhos, que consiga brilhar pra quem sabe um pequeno barco pesqueiro a resgatar.

Lucas G Coelho

A perfeita imperfeição do amor

GUARUJA

O amor não vê raças, pra ele é tudo preto no branco, no amarelo, no misto, ele não tem limite de idade, não é como o tempo de aposentadoria, ele não discrimina ninguém por ser mais velho, mais novo, por ser diferente, pois ele não enxerga diferenças. Logo não crie restrições para o amor, não crie teses ou afirmações cientificas, pois a única ciência é ter dois seres que querem o bem um do outro.

Mas não pense que ele vem que nem uma cozinha planejada, pré-fabricado, encomendado sob medida. Ele é construído aos poucos, mansamente, a cada encontro de olhares, a cada resignação ou aceitação, ele é feito bloco por bloco, tijolo por tijolo, cimentado e ajeitado, desenhado por arquitetos e engenheiros e feito por um mestre de obras incrível, mas nenhum desses você ou o seu bem contrata, nenhum desses é o Santo Antônio ou o Pai de santo que trás o amor em 7 dias. Você próprio que desenha e constrói os tijolos, que se aventura e quebra a cara, mas que no final consegue criar o mais imperfeito dos edifícios.

E é nessa imperfeição que o amor cresce, somente desse modo que colocamos cada vez mais andares e conseguimos decorar os quartos de cada memória que temos juntos, é assim que a vida floresce, é na imperfeição que a abelha se apaixona pela pétala, é naquele odor único e defeituoso que nasce o mel. O amor nasce na deficiência, no vício incontrolável do ser humano de ter alguém, e na sua mais pura plenitude tenta levar dois seres imperfeitos a perfeição, ele se alegra com a verdade e a única coisa que necessita é de mais amor, por que o que devemos fazer para manter o amor se não amar.

Não deixemos que o fogo do amor se apague, precisamos colocar lenha na fogueira e permitir que o fogo arda, que ele incandesça no coração dos apaixonados, carecemos de muitos eu te amo, em todos os sentidos e circunstâncias, em todas as horas e por todos os motivos e mesmo que o amor seja paciente, que ele consiga inflamar a partir de uma brasa não devemos deixar ele esquecido. Então, deixe o amor aquecer o seu coração, permita que ele te tire daquela fria noite de um inverno quase sem fim e nunca deixe que ele chegue a um ponto final.

Lucas G Coelho